May Tue 20

Ameaça virtual (Antitrust) - um filme tecnológico

Publicado por Bernard De Luna em Geral

Este foi um artigo que eu fiz para o Código Laranja na minha coluna “O Mundo De Luna” em 1 de julho de 2007. Espero que gostem.

Sábado a noite sem sono em casa é o melhor dia para se ver filmes. Ao todo foram 4 filmes, mas o último me chamou a atenção. Confiram o trailer!

Bill Who? hehehe

tim robbins

O jovem e brilhante mago da computação Milo Hoffman (Philippe) consegue um emprego excitante e lucrativo na maior empresa de computadores do mundo, a N.U.R.V. (Never Underestimate Radical Vision) Escolhido a dedo pelo poderoso Presidente da empresa, Gary Winston (Robbins), para trabalhar em um projeto que vai mudar mundialmente o modo de comunicação, Milo acredita ter achado o emprego dos seus sonhos.

Mas quando seu melhor amigo, Teddy, é brutalmente assassinado e as pistas indicam envolvimento da N.U.R.V., Milo fica obcecado para descobrir a verdade. Contando com o auxílio de sua bela e inteligente namorada (Forlani) e uma sexy programadora (Cook), Milo corre para vencer os assassinos de Teddy em seu próprio jogo cibernético. Mas, à medida que eles se aproximam, ele percebe que pode ser muito tarde para que ele aprenda o código mais importante de todos: manter seus amigos por perto. Manter seus inimigos ainda mais perto. E saber distinguir quem é quem antes que você seja morto.

Antes de decidir fazer esse artigo, prometi a mim mesmo não me alongar muito, então serei bem direto sobre o que eu gostaria de abordar no filme, desde Tim Robbins fazendo o papel de Gary Winston (Bill Gates), o modelo de trabalho utilizado pela Microsoft até o ambiente de trabalho divertido que todo profissional de tecnologia gostaria de ter que é oferecido atualmente pelo Google.

Interpretações e roteiros a parte, os discursos de Gary Winston são inflamados de paixão e da crença em algo maior que a própria ética. “Gary Winston tinha de ser maior que a vida”, esclarece o produtor David Nicksay. “Tinha de ser determinado, excêntrico, charmoso, esperto, com um toque de entusiasmo juvenil pelo prazer da criação, porém capaz de praticar atos absolutamente nefastos. Tinha de ser um homem bastante complexo e, quando se quer complexidade, Tim Robbins é uma escolha perfeita”, garante.

Para incorporar o personagem, Robbins contactou diversos magos dos computadores e alguns célebres CEOs, homens que, como Gary Winston, lutam para obter o “monopólio da excelência”. O ator revela: “Descobri que a maioria deles acredita estar atendendo às necessidades e aos clientes de seu público consumidor, ainda que muitas vezes atuem de forma desleal e se valham de subterfúgios. Afinal, é uma indústria que se transforma com impressionante rapidez. Não pode haver descuidos. Nunca se pode ‘deitar nos louros’ do que já se alcançou; é preciso estar sempre se adaptando a novas pessoas, novas descobertas, novas idéias”. Robbins acrescenta: “Alguém como Gary Winston tem de fazer de tudo para se manter na liderança”.

O mundo dos geeks é mostrado no filme, não de forma tão fantasiosa como no filme ‘hackers‘ com Angelina Jolie e Matthew Lillard, e sim de forma mais contida, destaques para as discussões sobre profissionais que trabalham a favor do código livre e profissionais que trabalham a favor do código fechado.

Marco Roxo da Silva comenta o filme em uma análise acadêmica para a UFF sobre o tema “Nunca subestime uma idéia radical ou o homem obsessivo capitalista pós-moderno”:

Assim, no filme, Wiston é uma caricatura de Gates. A empresa do personagem, a NURV, cuja tradução para o português é “Nunca subestime uma visão radical” pode ser um indicador da implacabilidade e ganância que domina o caráter de Wiston. Como dissemos, Wiston faz um anuncio de lançamento do Synapse, código de transmissão via satélite que poderá ser acoplado aos computadores de uso pessoal e convergir às mídias nas comunicações via internet. A escolha da data foi intuitiva. Não obedeceu aos padrões inerentes ao controle e a previsibilidade e nem aos progressos técnicos da empresa, ambos conceitos herdados da ciência moderna.

Os programadores e analistas da NURV, os geeks, são todos jovens, oriundos do fundo da garagem e aliciados por Wiston em função de serem gênios da informática e obsessivos em relação ao trabalho. Na NURV, eles não têm hora para entrar ou para sair. Não ganham salários e sim bonificações em dinheiro ou em bens como casa ou apartamentos. Não possuem uma relação contratual formalizada com a empresa e têm uma relação libinal com a informática. Essa sensação de prazer os faz passar dias seguidos plugados ao micro-computador. São, enfim, extremamente adaptados às características “flexíveis” do novo capitalismo.

Como disse que não vou me alongar no artigo, vou voltar a algumas cenas que merecem sua atenção e quem quiser saber mais sobre o filme, assista!

Gary Wiston se desloca por um palco enquanto faz o seguinte discurso para uma platéia de atentos empresários em algum lugar dos Estados Unidos:
“Este negócio é um organismo vivo, em constante multiplicação, cercado de predadores. Não há espaços para pausas nem adivinhações. Novas descobertas surgem a toda hora. Novas idéias estão prontas para serem devoradas ou redefinidas. Este negócio é binário. Você é um ou zero. Vivo ou morto. Não há segundo lugar”.

No fundo de uma garagem em uma casa de classe média situada no Vale do Silício, Califórnia, Estados Unidos. É madrugada. Millo Hoffman e Teddy Chin trabalham alucinadamente no desenvolvimento de um software que permite anexar um micro-computador aos códigos fonte de um satélite. Quando Hoffman e Chin conseguem o feito, levantam as mãos para cima e gritam: “Somos geek”. (Olha a genki-dama aí gente!)

Congresso americano. Sala da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a
violação da lei “Antitruste”. Inquerido: Gary Wiston. Ele se defende com o seguinte argumento:
“O único monopólio que temos na NURV, congressista, é o da excelência. A informática continua tendo um mercado livre”.
O congressista acusa: “Um mercado livre incentiva a competição. Você a previne”.
Wiston responde a acusação: “Congressista, a base da competição sempre foi simples. Qualquer garoto numa garagem, com uma boa idéia, pode nos derrubar”.

Wiston reúne os “geeks” que “trabalham” na NURV e faz o seguinte alerta sobre a
possibilidade de não cumprirem o prazo de lançamento do Synapse:

“A escolha da data de lançamento não foi arbitrária. Mas também não foi baseada nos progressos técnicos da empresa. Se não cumprirmos o prazo será o fim do negócio. Lembrem-se. Não existem amarras. Não existem limites. Surpreendam-me, provoquem-me, desafiem-se. Vocês não têm escolha. Podem ser esquecidos ou lembrados como um dos nobres que chegaram lá”.

Quem já tiver assistido Antitrust, e quem assistir após este artigo, comente aqui suas opiniões! Será que me consegui não me alongar muito?

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